Arquivo mensal: dezembro 2011

RIO, EU TE AMO

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Rio, eu te amo

Rio, eu te amo

CITIES OF LOVE
Concebido pelo produtor francês Emmanuel Benbihy, Cities of LoveTM é uma série de filmes que ilustra a universalidade do amor nas mais importantes cidades do mundo.

A cidade enfocada no episódio tem suas qualidades e características iluminadas por histórias e sentimentos que cativam todos os públicos. O objetivo é celebrar as mais diversas expressões humanas de amar.

Em 2006, foi lançado “Paris, Je T´Aime”. O primeiro filme da série apresentou vinte histórias independentes, dirigidas por cineastas como osirmãos Coen, Gus Van Sant e Walter Salles.

Natalie Portman, Gérard Depardieu e Steve Buscemi foram alguns dos grandes nomes que estrelaram o filme da Cidade Luz.

“New York, I Love You”, diferente do primeiro filme da série, tem suas histórias interligadas através das cenas de transição que costuram o filme. São dez segmentos narrativos que mergulham na atmosfera urbana de uma Nova York absolutamente encantadora.

O filme teve estréia mundial em outubro de 2009, quando se comemoraram os 30 anos da campanha “I Love NY”. Andy Garcia, Orlando Bloom, Julie Christie, Ethan Hawke, Robin Wright Penn, James Caan e Cristina Ricci estão no elenco.

“Rio, Eu Te Amo” é a próxima Cidade do Amor onde acontecerá esse grande encontro de talentos do cinema mundial. Um presente para a cidade que, ao lado de Paris e Nova York, tem a característica de ser deslumbrante e inesquecível, e agora também se eternizará no cinema.

O filme “Rio, Eu Te Amo” mobiliza dez pontos diferentes da cidade, que serão filmados por diretores consagrados. Serão três diretores brasileiros, três americanos e quatro de outras partes do mundo. Os premiados diretores Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel) e José Padilha (Ônibus 174 e Tropa de Elite) já são parte deste grande filme coletivo. Assim com Paris e Nova York, o Rio contará com um elenco internacional.

Vista do Parque Garota de Ipanema

Vista do Parque Garota de Ipanema

O objetivo de Rio, Eu Te Amo é formar uma grande onda de amor que tomará conta da cidade maravilhosa. Vamos formar uma plataforma colaborativa e interativa com diferentes públicos sobre a universalidade do amor. A estratégia é integrar diversas mídias, de diferentes formatos, extrapolando a tela do cinema.

A onda de Rio, Eu Te Amo será repleta de ações ao longo dos próximos dois anos para gerar engajamento e conteúdo colaborativo. Será a primeira vez na história do cinema nacional que um projeto trará tanta inovação, colaboração e envolvimento.

Abaixo, depoimentos de cariocas de nascimento e de “cariocas por opção”, sejam pessoas famosas ou não…O que importa é a dedicação, amor e devoção por essa cidade que, apesar dos pesares, permanece: MARAVILHOSA!!!

RIO EU TE AMO, pela ótica da Hiper morenaça, Lindissima, JULIANA ARAÚJO

RIO EU TE AMO por JULIANA ARAÚJO (íntegra)

RIO, EU TE AMO – SHARON MENEZES

RIO EU TE AMO, por ROBERTO LANDÃO

RIO, EU TE AMO, por MONIQUE ALFRADIQUE

RIO, EU TE AMO por TABATA BARROS

RIO, EU TE AMO por CARLA MARISA GUEDES

RIO EU TE AMO, por LETÍCIA SABATELLA

Rio, eu te amo

Rio, eu te amo

Estado da Guanabara, por Vinicius de Moraes

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Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Um repórter me telefona, eu ainda meio tonto de sono, para saber se eu achava melhor que o Distrito Federal fosse incorporado ao Estado do Rio, consideradas todas as razões óbvias, ou se preferia sua transformação no novo Estado da Guanabara. Sem hesitação optei pela segunda alternativa, não só porque me parece que o Distrito Federal constitui uma unidade muito peculiar dentro da Federação, como porque vai ser muito difícil a um carioca dizer que é fluminense, sem que isso importe em qualquer desdouro para com o simpático estado limítrofe. O negócio é mesmo chamar o Distrito Federal de Estado da Guanabara, que não é um mau nome, e dar-lhe como capital o Rio de Janeiro, continuando os seus filhos a se chamarem cariocas. Imaginem só chegarem para a pessoa e perguntarem de onde ela é, o ela ter de dizer: “Sou guanabarino, ou guanabarense”… Não é de morte? Um carioca que se preza nunca vai abdicar de sua cidadania. Ninguém é carioca em vão. Um carioca é um carioca. Ele não pode ser nem um pernambucano, nem um mineiro, nem um paulista, nem um baiano, nem um amazonense, nem um gaúcho. Enquanto que, inversamente, qualquer uma dessas cidadanias, sem diminuição de capacidade, pode transformar-se também em carioca; pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito. Eu tenho visto muito homem do Norte, Centro e Sul do país acordar de repente carioca, porque se deixou envolver pelo clima da cidade e quando foi ver… kaput! Aí não há mais nada a fazer. Quando o sujeito dá por si está torcendo pelo Botafogo, está batendo samba em mesa de bar, está se arriscando no lotação a um deslocamento de retina em cima de Nélson Rodrigues, Antônio Maria, Rubem Braga ou Stanislaw Ponte Preta, está trabalhando em TV, está sintonizando para Elizete.

Pois ser carioca, mais que ter nascido no Rio, é ter aderido à cidade e só se sentir completamente em casa, em meio à sua adorável desorganização. Ser carioca é não gostar de levantar cedo, mesmo tendo obrigatoriamente de fazê-lo; é amar a noite acima de todas as coisas, porque s noite induz ao bate-papo ágil e descontínuo; é trabalhar com um ar de ócio, com um olho no ofício e outro no telefone, de onde sempre pode surgir um programa; é ter como único programa o não tê-lo; é estar mais feliz de caixa baixa do que alta; é dar mais importância ao amor que ao dinheiro. Ser carioca é ser Di Cavalcanti.

Que outra criatura no mundo acorda para a labuta diária como um carioca? Até que a mãe, a irmã, a empregada ou o amigo o tirem do seu plúmbeo letargo, três edifícios são erguidos em São Paulo. Depois ele senta-se na cama e coça-se por um quarto de hora, a considerar com o maior nojo a perspectiva de mais um dia de trabalho; feito o quê, escova furiosamente os dentes e toma a sua divina chuveirada.

Ah, essa chuveirada! Pode-se dizer que constitui um ritual sagrado no seu cotidiano e faz do carioca um dos seres mais limpos da criação. Praticada de comum com uma quantidade de sabão suficiente para apagar uma mancha mongólica, tremendos pigarreios, palavrões homéricos, trechos de samba e abundante perda de cabelo, essa chuveirada — instituição carioquíssima restitui-lhe a sua euforia típica e inexplicável: pois poucos cidadãos poderão ser mais marretados pela cidade a que ama acima de tudo. Em seguida, metido em sua beca de estilo, que o torna reconhecível por um outro carioca em qualquer parte do mundo (não importa quão bom ou medíocre o alfaiate, de vez que se trata de uma misteriosa associação do homem com a roupa que o veste), penteia ele longamente o cabelo, com gomina, brilhantina ou o tônico mais em voga (pois tem sempre a cisma de que está ficando careca) e, integrado no metabolismo de sua cidade, vai a vida, seja para o trabalho, seja para a flanação em que tanto se compraz.

Pode-se lá chamar um cara assim de guanabarino?

Vinicius de Moraes, carioca da gema, opina quando da polêmica mudança da capital federal para Brasília. Uma crônica bem humorada retratando bem o espírito de sua gente e da cidade.

Texto extraído do livro “Para Viver Um Grande Amor”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1984, pág. 185.

Conheça a vida e a obra do autor em “Biografias”